No início de 2024, surgiu no grupo dos associados um convite para pintar as paredes do galpão 13, onde fica o ateliê da AAPLAJ. Era um dia muito quente de fevereiro, mas mesmo assim fomos lá, pintar juntos. Foi nesse momento que percebi que a associação era diferente de uma galeria comum. Não era só sobre expor obras, mas sobre dedicação, cuidado, convivência e união entre os artistas - e é justamente isso que explica a força da associação em resistir e existir há 42 anos.
Depois disso, senti vontade de estar mais presente, participar das reuniões, dos projetos e da vida da associação. Em um desses encontros, Roseli Sartori, que era a presidente na época, me presenteou com um chassi que ela não iria mais usar. Recebi aquele gesto com muito carinho e decidi guardar, esperando o momento certo para criar algo especial, ainda mais por ser um chassi grande.
Após sua partida, senti que precisava usar aquele chassi. Era o momento de transformar em arte tudo aquilo que aprendi dentro da AAPLAJ. Aprendi que a cumplicidade, a parceria e o trabalho coletivo realmente fazem diferença. Que ninguém constrói nada sozinho, e que é no apoio entre as pessoas que uma associação se mantém viva.
Este trabalho é uma homenagem a tudo isso. Ao trabalho que acontece nos bastidores, à dedicação diária e às pessoas que constroem juntas. É uma homenagem ao momento antes da vernissage, quando ainda existe suor, esforço e união - e é justamente ali que mora a verdadeira essência de uma associação.
O céu vermelho presente na obra simboliza esperança. Representa a certeza de que o próximo dia será mais bonito, assim como o pensamento coletivo de quem trabalha hoje acreditando na construção de um futuro melhor. É a imagem de um novo dia que nasce a partir do esforço conjunto, da persistência e do cuidado compartilhado.